Um Programa do Instituto Roerich

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Minuto de Meditação

On ou Off??

Não é de hoje que o mundo está mudando cada vez mais rápido.
Vivemos numa era onde o que é novo agora pode se tornar obsoleto amanhã.
Uma era onde as grandes transformações acontecem a mais de 100 mil kbits por segundo, mesmo quando estamos off.
As mudanças climáticas estão aumentando e prever o futuro é tão incerto quanto tentar adivinhá-lo.
O trânsito está caótico e chegar primeiro virou mais importanque que chegarmos juntos.
Não existe mais diálogo. Buzinar virou mais importante que falar.
Estamos compartilhando individualidade ao invés de solidariedade.
Vivemos uma era onde 24 horas é pouco para respondermos a todos os emails que recebemos.
Nossas redes sociais e nossos amigos agora são virtuais.
Antes vivíamos conectados à terra, ao mato, ao vento, à água ou simplesmente às coisas que nos fazem bem.
Agora, apenas estamos conectados à internet.
Será que é essa a evolução da humanidade? Aquilo que vai nos levar adiante?

On ou Off?

O que devemos ser? De que lado devemos estar?
Pedir licença, por favor, falar obrigado, você primeiro e desculpe é off.
Dizer olá ou às vezes não dizer nada é on.
Prazer em reunir amigos, juntar a turma e compartilhar experiências é off.
Enviar mensagens prontas e curtir fotos de desconhecidos é on.
Jogar bola, andar de skate, conhecer pessoas, se aventurar, é off.
Viver o tempo todo dentro do escritório e não sair do quarto….

On ou off?

De que lado você está?

Está é uma das poucas respostas que você não vai encontrar no Google.
É preciso parar pra pensar, afinal é muito difícil saber como vai ser o futuro quando você não tem a menor idéia do que está acontecendo no presente.
É hora de reiniciar o seu jeito de olhar o mundo.
Que o mundo pode ser igual, mas diferente.
Não adianta você querer a sustentabilidade sem ser sustentável.
De que lado você está?
O consumo inconsciente pode ser evitado. O que você tem demais muitos ainda nem conhecem.
O desperdício deve ser combatido.
O colapso econômico do planeta não se resolve com a elevação das suas compras.
Mas talvez com o retorno às suas origens humildes, sinceras, despretensiosas, colaborativas e autoprodutivas.

On ou Off?

De que lado você está?

Está passando a hora de se ligar.
Plante o bem para colher o bem.
Onde se planta tem vida. Temos que ficar com o planeta e respirar o mesmo ar.
Temos que deixar filhos melhores para que tenhamos netos melhores.
Sustentabilidade é isso: saber se desligar na hora certa e respeitar o meio-ambiente.
Viver em comunidade e para a comunidade.
As melhores idéias do mundo são as melhores idéias para o mundo.
Lembre-se: não existem flores sem sementes.
O mundo está ficando carente de gentileza.
A intolerância está gerando intolerância.
Somos capazes de reclamar uns dos outros
Mas não somos capazes de responder uma indelicadeza com um sorriso.
Se não mudarmos, o mundo não muda.
On ou off?
De que lado você está?
O mundo está mudando muito rápido.
Ou corremos agora ou iremos correr atrás.
Conecte-se ao novo futuro para o planeta.
Nunca deixe que ele desligue!

Homem!

Brechó Eco-Solidário 2012 começa dia 20, no Parque da Cidade.

Evento realizado desde 2006 busca sensibilizar o público sobre efeitos do consumo e suas consequências ao meio ambiente.

Grande mercado de trocas de bens usados, feira de economia solidária e uma série de atividades que se propõem a ser “práticas do futuro emergente”. Este é o conceito do Brechó Eco Solidário que acontece no final de semana (20 e 21 de outubro), das 9h às 17h, no Parque da Cidade, em Salvador.

Realizado anualmente desde 2006, o Brechó desempenha papel importante de sensibilização sobre os efeitos do consumo para as mudanças climáticas atuais. A participação no Brechó estimula as pessoas a pensarem em outras formas de consumo mais saudáveis, com menos desperdício, priorizando produtos das cooperativas de economia solidária.

Durante dois dias, o público poderá trocar seus bens usados por “grãos” nos postos que funcionarão no local. No espaço, além do mercado de trocas e da feira de produtos de cooperativas baianas, haverá aulas de ioga, de biodança, de qi qong, de massagens, de reiki, apresentações de música e dança além de atividades de educação ambiental.

Universidades baianas são pioneiras na realização do Brechó em Salvador (UFBA, Unifacs, Universo, UNEB, UFRB, Fama, entre outras). Mas a cada ano novas parcerias são formadas com instituições do setor público (SETRE, Instituto Mauá etc.), ONGs (Ecobairro, Terramirim, Integro, entre outras) e setor privado . O evento é coordenado pela Associação Rede de Profissionais Solidários pela Cidadania com o trabalho voluntário de cerca de 350 pessoas de várias instituições – professores e estudantes das universidades parceiras, empreendedores da Economia Solidária, artistas e terapeutas holísticos.

Intercâmbio internacional

O Brechó Eco Solidário é a expressão brasileira da rede Dialogues en humanité, que teve origem em 2002 em Lyon, na França, e vem se descentralizando. Hoje está presente em países tão diferentes quanto Índia, Marrocos, Alemanha e Etiópia, dentre outros. A rede baseia-se no diálogo público sobre os desafios econômicos, sociais, ambientais e espirituais da humanidade e propicia a experimentação de soluções inovadoras da própria sociedade para fazer face a esses desafios.

Programação

No Brechó 2012, discussões públicas nas chamadas “Ágoras” vão tratar sobre: “Transição para o pós capitalismo: Novas formas de produção e consumo sustentáveis”, “Governança Cívica Mundial: proposta para superar a crise”, “Indivíduo, família e comunidade: construindo o novo viver” e “Cidades sustentáveis: vida simples e solidária para o bem viver de todos”.

Vários participantes estarão em Salvador ampliando as discussões e o diálogo com o público, dentre eles Marcos Arruda (um dos fundadores do movimento da Economia Solidária no Brasil), Nelton Friedrich (diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu), Antanas Mokus (ex-prefeito de Bogotá) e Ryadh Sallem (organizador dos Diálogos em Humanidade de Paris e campeão da Europa de handebol de cadeira de rodas).

Referências:

http://www.brecho-ecosolidario.blogspot.com.br/

http://dialoguesenhumanite.free.fr/

Energia solar já é econômica para 15% dos lares brasileiros


Um estudo divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia, mostra que a produção residencial de energia solar já é economicamente viável para 15% dos domicílios brasileiros. A produção de energia solar em grande escala, no entanto, ainda é inviável, mesmo com incentivos governamentais. De acordo com a pesquisa da EPE, o custo da geração nas residências brasileiras, a partir de um equipamento de pequena potência, é R$ 602 por megawatt-hora (MWh), mais barato do que a energia vendida por dez das mais de 60 distribuidoras de energia. O cálculo é feito com base no custo médio de instalação de um painel com a menor potência, R$ 38 mil. Graças a novas resoluções da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) publicadas neste ano, os consumidores que instalem painéis solares em suas casas ou condomínios podem não apenas reduzir a quantidade de energia comprada das distribuidoras, como também vender o excedente da energia produzida para essas empresas. Segundo o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, esse mercado potencial pode crescer bastante se forem concedidos incentivos como: financiamento à compra dos painéis e conversores que transformam a luz do sol em energia elétrica; isenção fiscal para a produção desses equipamentos no país; e redução do Imposto de Renda para os consumidores. Caso o governo esteja disposto a criar os três tipos de incentivo ao mesmo tempo, a energia solar pode se tornar competitiva para 98% dos consumidores residenciais brasileiros. “Hoje, a geração distribuída [produção residencial de energia solar] já é mais ou menos interessante em alguns lugares. Agora, para ampliar, seria necessário ter incentivos ou esperar o preço [do equipamento] cair”, disse Tolmasquim. A expectativa da Agência Internacional de Energia é que a solar esteja competitiva com outras fontes no mundo a partir de 2020. Tolmasquim disse, no entanto, que não é possível saber quando a energia solar será competitiva para produção em larga escala no Brasil. Há hoje no país apenas oito empreendimentos, que produzem apenas 1,5 megawatt (MW) de um total de 118 mil MW do Brasil. As informações são da Agência Brasil.


Fernando de Noronha pretende utilizar somente energia renovável ainda este ano

A empresa Itaipu Binacional vem desenvolvendo um projeto para que a energia fornecida à Ilha de Fernando de Noronha, em Pernambuco, seja substituída por energias solar e eólica ainda este ano. O presidente da Itaipu, Jorge Samek, informou que técnicos da empresa vêm trabalhando há vários anos, em parceria com diversas empresas europeias, para desenvolver um sistema de baterias “altamente eficiente” a partir do cloreto de sódio, que não causa danos ao meio ambiente. Essas baterias armazenarão energia solar e eólica ao longo do dia para prover a ilha, com seus cerca de 3,5 mil habitantes, de uma energia mais pura e renovável, que substituirá os atuais geradores da usina que fornece energia para Fernando de Noronha a partir do óleo diesel. “É um sistema que vem sendo utilizado cada vez mais e traz mais autonomia aos carros elétricos. O processo consiste em armazenar, durante o dia, a energia solar e também a proveniente dos ventos – abundantes na região – em baterias que acumularão o necessário para suprir as necessidades da ilha também durante a noite”. O projeto custará cerca de R$ 17 milhões e está sendo desenvolvido a pedido da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. Segundo o engenheiro Celso Novaes, responsável pelo projeto, o sistema é baseado em nova tecnologia, testada em conjunto por empresas brasileiras e europeias. “É um estudo, uma inovação, que já está sendo discutida em fóruns por todo o mundo, inclusive em Roma e nos Estados Unidos, onde também são desenvolvidos projetos pilotos”, explicou Novaes. As informações são da Agência Brasil.

”Precisamos nos livrar da palavra desenvolvimento, mesmo que ela venha acompanhada do adjetivo sustentável”.

Entrevista com o professor Carlos Alberto Pereira da Silva, da Universidade Estadual Sudoeste.

O conceito de decrescimento surge “diante do desafio da mudança nos rumos da civilização ocidental”, esclarece o pesquisador Carlos Pereira à IHU On-Line. Para ele, a superação do modelo desenvolvimentista ocidental está imbricada na incorporação do “princípio de responsabilidade”. Pensar outro modelo de desenvolvimento econômico, social e político requer transformações de hábitos adquiridos há séculos e intensificados desde o surgimento do capitalismo.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Pereira argumenta que a lógica do desenvolvimento é “essencialmente errada porque em seu interior está contida a insensata promessa de continuidade do crescimento econômico num mundo em que as riquezas naturais são finitas”. Entretanto, enfatiza, a origem da compreensão de que o homem é o centro do universo e que deve explorar os demais seres vivos “está estampada na narrativa judaico-cristã sobre a criação do universo na qual, conforme o relato bíblico, Deus teria ordenado ao homem: ‘enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra’”.

Defensor da premissa ecoantropocêntrica, o pesquisador ressalta a necessidade de enxergarmos a “Terra e os outros seres vivos também como centro do mundo. A partir daí, ao interiorizarmos essa premissa ecoantropocêntrica, veremos que a nossa espécie é integrante de uma ampla comunidade de vida e terminaremos por concluir que o mundo não nos pertence”.

O decrescimento faz parte das discussões do Ciclo de Palestras: Economia de Baixo Carbono. Limites e Possibilidades, que é promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Na próxima terça-feira, 22-11-2011, o professor de Economia na Universidade de Paris XI – Sceaux/Orsay, Serge Latouche, ministrará a palestra Por outro modo de consumir: descrição de algumas experiências alternativas.

Carlos Alberto Pereira Silva é graduado em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, mestre em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília – UnB e doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. Atualmente é professor Adjunto da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e Coordenador do Laboratório Transdisciplinar de Estudos em Complexidade.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Na audiência sobre “Decrescimento: Por que e como construir”, realizada no início do mês de setembro na Subcomissão Permanente de Acompanhamento da Rio+20 e do Regime Internacional sobre Mudanças Climáticas da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional – CRE, o senhor condenou o desenvolvimentismo que leva a um consumo de recursos naturais acima da capacidade do planeta. Que alternativas encontra e sugere para o consumo moderado dos recursos naturais ou até mesmo do reaproveitamento de recursos já utilizados?

Carlos Alberto Pereira Silva – Diante da crise civilizatória multidimensional, potencializada pela expansão do desenvolvimento, as alternativas para a emergência de um consumo parcimonioso das riquezas naturais estão vinculadas à superação da insensata aposta no crescimento econômico ilimitado. Para que haja a propagação de modos de vida frugais, faz-se necessário que ocorra o questionamento do desenvolvimento predatório, excludente e consumista. Para isso precisamos nos livrar da palavra desenvolvimento, mesmo que ela venha acompanhada do adjetivo sustentável. Portanto, a superação do consumismo desenfreado existente em nossa época, na qual quase tudo é efêmero, supérfluo e descartável, exige uma profunda mudança nos valores, ideias e atitudes ainda predominantes na cultura ocidental. E isso exige uma verdadeira metamorfose cultural. Podemos iniciar essa metamorfose insurgindo contra os estímulos ditados pelas grandes corporações desenvolvimentistas, que são indutoras da compulsiva conjugação dos verbos modernizar, desenvolver, competir, lucrar, consumir, crescer, ostentar, aparecer, acumular, substituir e descartar.

IHU On-Line – Na mesma audiência, o senhor discutiu formas de conduzir a humanidade a um padrão de redução de crescimento. Que padrão seria esse e qual a sua viabilização? Quais benefícios trariam para nossa sociedade?

Carlos Alberto Pereira Silva – Acredito que, na busca da superação do desenvolvimento, não devemos tentar estabelecer matematicamente um “padrão de redução do crescimento” para que possamos construir um mundo melhor. Para além do estabelecimento de qualquer padrão, é fundamental que incorporemos o “princípio responsabilidade”, esboçado por Hans Jonas, que diz: “aja de modo que os efeitos de sua ação sejam compatíveis com a permanência de uma vida autenticamente humana na Terra”. Assim, diante do desafio da mudança nos rumos da civilização ocidental, é que surge o decrescimento.

Descortinado como uma utopia concreta, o decrescimento, que não é nem receita nem fórmula, apresenta-se como um caminho necessário e viável para a construção de uma melhor e mais harmoniosa convivência, nunca isenta de conflitos, entre os homens, as mulheres, os outros seres vivos e a terra. Para que possamos sair da lógica ditada pelo crescimento econômico e entrarmos na era da civilização do decrescimento, a luta contra a indigna situação social a que estão submetidos incontáveis seres humanos assume particular importância. Com o questionamento da crença no crescimento econômico ilimitado, que tem transformado milhões de homens, mulheres e crianças em seres descartáveis, a aposta na erradicação da pobreza adquire relevância. Num mundo no qual a opulência de poucos entra em contraste com a miséria de muitos, é plenamente possível que os bens essenciais à vida, completamente distintos dos bens fúteis propagandeados através do rentável, poluidor e barulhento mercado publicitário, sejam acessíveis a todos. Nessa agenda, preenchida pela desafiadora tarefa da garantia de redistribuição dos bens socialmente produzidos, a redução da jornada de trabalho sobressai como uma imperiosa necessidade, porque a meta do decrescimento, como destaca Serge Latouche, “é uma sociedade em que se viverá melhor trabalhando menos”.

A aposta na construção de vivências baseadas no ideal da simplicidade voluntária compatibiliza-se também com a necessidade da redução do padrão de crescimento. Se, como já dizia Henry Thoreau no século XIX, “a maioria dos luxos e dos chamados confortos da vida não são só dispensáveis como também constitui até obstáculo à elevação da humanidade”, é vital, que haja contraposição à lógica da acumulação de bens materiais incitada pela cultura do desenvolvimento, geradora de um ilusório bem-estar. Por distinguir-se da moderna noção de riqueza, que define quem é rico pela posse de bens materiais, a simplicidade voluntária aponta para a possibilidade da construção de uma civilização na qual o ser prepondere sobre o ter.

IHU On-Line – Em sua opinião, a lógica desenvolvimentista da nossa cultura está assumindo uma posição errada? Por quê? Que pontos deveriam sofrer modificações?

Carlos Alberto Pereira Silva – A lógica apontada pelo desenvolvimento é essencialmente errada porque em seu interior está contida a insensata promessa de continuidade do crescimento econômico num mundo em que as riquezas naturais são finitas. Para iniciarmos uma mudança de rumos, compatível com os limites impostos pela biosfera, devemos descolonizar o nosso imaginário, ainda dominado pela crença nos supostos benefícios gerados pelo desenvolvimento. Para isso é necessário introjetarmos a ideia de que uma vida melhor independe do aumento da produção e do consumo de bens materiais. Certamente, ao interiorizarmos essa ideia, questionaremos as bases fundamentais do desenvolvimento e passaremos a adotar práticas socioambientais convergentes como os verbos redistribuir, reduzir, desmercadorizar, diminuir, reciclar, reutilizar, desmercantilizar, redistribuir, perenizar, reaprender e reencantar.

IHU On-Line – O senhor defende uma ética “ecoantropocêntrica”, lembrando que as pessoas fazem parte de uma comunidade de vida mais ampla e dividem espaço com muitas espécies. O senhor também defende que falta um “egoísmo inteligente”, no qual o cuidado com outras espécies seja visto como defesa da própria espécie humana. Explique mais esse conceito.

Carlos Alberto Pereira Silva – Nós ainda estamos vivendo em conformidade com a ética antropocêntrica que, ao afirmar a premissa de ser o homem o centro de tudo o que existe, contribui para arraigar a convicção de que o mundo foi feito para a espécie humana. A origem dessa compreensão está estampada na narrativa judaico-cristã sobre a criação do universo na qual, conforme o relato bíblico, Deus teria ordenado ao homem: “enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra”. Acolhida entusiasticamente pela cultura ocidental, essa sentença foi incorporada ao conhecimento científico moderno através das palavras de Francis Bacon que, que em nome da ciência, deixou como legado este conselho: “devemos subjugar a natureza, pressioná-la para entregar seus segredos, amarrá-la a nosso serviço e fazê-la nossa escrava”. Diante dessa antiga crença, se o nosso descentramento parece algo impossível de acontecer, é fundamental então que passemos a enxergar a terra e os outros seres vivos também como centro do mundo. A partir daí, ao interiorizarmos essa premissa ecoantropocêntrica, veremos que a nossa espécie é integrante de uma ampla comunidade de vida e terminaremos por concluir que o mundo não nos pertence.

Eu penso que, em razão dos humanos serem tributários de uma história anterior ao seu surgimento, as convicções que atestam a capacidade de destruição da Terra e o extermínio da vida nela existente por parte da espécie humana revelam-se falsas. Para mim, por sermos apenas “um punhado de mar”, a afirmação, largamente difundida nos dias atuais, de que devemos proteger a natureza porque o futuro do planeta está em nossas mãos é completamente ingênua e presunçosa. Portanto, mesmo que essa afirmação esteja fundada em preocupações com a situação do planeta, os seus defensores não reconhecem a grandiosidade, nem tampouco a capacidade de resiliência que a Terra possui frente às agressões empreendidas pelos humanos. Assim sendo, se reconhecermos que estamos apenas maltratando a Terra e não a destruindo, acredito que iremos implementar ações preenchidas pelo egoísmo inteligente que alicerça-se no sincero princípio de que o cuidado com Terra e os outros seres vivos significa uma tentativa, quiçá vã, de cuidarmos de nós mesmos.

IHU On-Line – O senhor aposta na valorização dos saberes das populações indígenas e iletradas como alternativa à lógica desenvolvimentista, que pode estar ligada ao culto, ao corpo e à violência. De que maneira podemos criar políticas públicas que deem conta desta alternativa?

Carlos Alberto Pereira Silva – Para construirmos sociedades possibilitadoras da emergência de uma vida autêntica, precisamos ter a humildade de aprender com muitas populações iletradas que são portadoras de saberes indispensáveis a uma vida melhor. Temos que reconhecer, como diz a pesquisadora dos “saberes da tradição”, Maria da Conceição de Almeida, que além da ciência “existem outras formas de conhecer que se perdem no tempo e no anonimato porque não encontram espaços e oportunidade de expressão”. Daí porque, para que possamos lutar pela implementação de políticas públicas que contemplem os legítimos anseios das populações que ainda não foram tocadas pela uniformização avassaladora do desenvolvimento ocidental, necessitamos primeiramente reconhecer a pertinência dos múltiplos saberes ancestrais. Reconhecendo a pertinência dos saberes das populações iletradas, certamente contribuiremos com o fortalecimento das lutas em prol da demarcação de terras indígenas e da valorização do saber/fazer de seringueiros, pescadores e roceiros.

Ao constatar que o desenvolvimento possui a capacidade de transformar quase tudo em bens consumíveis, percebo que a incansável busca do corpo perfeito também está vinculada à reprodução da sociedade do crescimento fundada no ter sobre o ser. No atual contexto, onde o desejo do corpo perfeito tornou-se uma nova utopia, a indústria da beleza e da “boa forma” tem aumentado a sua riqueza com a manutenção da pobreza espiritual das consumidoras e consumidores dos seus produtos.

Concomitantemente à disseminação da corpolatria, a existência de vínculos entre a lógica desenvolvimentista e o crescimento da violência física e simbólica em nossas sociedades explicita-se quando verificamos que, em nome do desenvolvimento, o valor das pessoas é medido pelo que elas possuem e não pelo o que elas são. Assim, assentado na concorrência e no individualismo, o desenvolvimento cinde as sociedades através da imposição do lema “salve-se quem puder”, contribuindo decisivamente para a propagação da cultura da violência.

IHU On-Line – O padrão de consumo deve ser reduzido nos países ricos, por quê?

Carlos Alberto Pereira Silva – O padrão de consumo existente nos países materialmente desenvolvidos deve ser reduzido porque, além de não ser capaz de garantir uma autêntica satisfação para os indivíduos, o consumismo constitui-se num fator que tem gerado drásticas alterações nos ecossistemas. Ao incorporarem o consumo excessivo como dimensão vital da existência, parcelas significativas das sociedades ocidentais, na desenfreada busca dos recursos naturais, tornam-se responsáveis pelos desmatamentos, poluições, assoreamento dos rios, envenenamento dos mares e degradação do ambiente urbano. Conforme a publicação “O Estado do Mundo”, os 16% mais ricos do mundo são responsáveis por cerca de 80% do consumo mundial. Considerando que os países materialmente ricos são grandes consumidores de energia, ao discutirmos o problema da superpopulação, possivelmente iremos concluir, como sugeriu Paul Elrich, que há “um número demasiado grande de pessoas ricas” e que são eles que superpovoam a terra.

IHU On-Line – O automóvel foi considerado “irracionalidade completa” pelo professor João Luís Homem de Carvalho, da Universidade de Brasília (UnB), que correlacionou a ineficiência crescente do transporte individual ao aumento do efeito estufa. O senhor concorda com essa afirmação? Por quê?

Carlos Alberto Pereira Silva – Inquestionavelmente, a poluição atmosférica gerada pela queima de combustíveis fósseis, necessária à manutenção da civilização do automóvel, contribui sobremaneira para o aumento do efeito estufa. Podemos dizer que a aposta no automóvel é uma “irracionalidade completa” porque, além de potencializar o aquecimento global do planeta, a expansão do seu uso é multidimensionalmente insustentável. Para constatarmos essa irracionalidade, basta que sintamos as diversas consequências da intensa presença dos carros em nossas cidades. Com mais automóveis, nossas cidades tornaram-se barulhentas e propícias ao aumento das doenças respiratórias e dos males psicofísicos entre os indivíduos. Além disso, o culto ao automóvel, compatível com a lógica do desenvolvimento que se ancora no aumento do PIB, tem arruinado muito lares com as incontáveis mortes e mutilações geradas pela guerra no trânsito.

IHU On-Line – A relocação da produção de alimentos, visando torná-los mais próximos dos consumidores, é uma alternativa sustentável? Por quê?

Carlos Alberto Pereira Silva – A aposta na relocalização da produção é algo fundamental para que possamos sair da sociedade do crescimento. Como diz Latouche, “se as ideias devem ignorar fronteiras, os movimentos de mercadorias e de capitais devem, ao contrário, limitar-se ao indispensável”. Produzir localmente alimentos e outros bens destinados ao atendimento das necessidades das comunidades contribui para a redução dos vultuosos gastos destinados ao transporte das mercadorias. Certamente, além de contribuir para redução da poluição gerada pelos grandes deslocamentos terrestres, aéreos e marítimos, a relocalização da produção possibilitará o aumento da geração de empregos locais e estimulará o sentimento de pertencimento entre os indivíduos de cada localidade.

Floresta Vertical (Bosco Verticale), em Milão, Itália.

Bosco Verticale (Vertical Forest) is a project for metropolitan reforestation that contributes to the regeneration of the environment and urban biodiversity without the implication of expanding the city upon the territory. Bosco Verticale is a model of vertical densification of nature within the city. It is a model that operates correlated to the policies for reforestation and naturalization of the large urban and metropolitan borders (Metrosbosco). Metrobosco and Bosco Verticale are devices for the environmental survival of contemporary European cities. Together they create two modes of building links between nature and city within the territory and within the cities of contemporary Europe.
The first example of a Bosco Verticale composed of two residential towers of 110 and 76 meters height, will be realized in the centre of Milan, on the edge of the Isola neighbourhood, and will host 900 trees (each measuring 3, 6 or 9 m tall) apart from a wide range of shrubs and floral plants.
On flat land, each Bosco Verticale equals, in amount of trees, an area equal to 10.000 sqm of forest. In terms of urban densification the equivalent of an area of single family dwellings of nearly 50.000 sqm.
The Bosco Verticale is a system that optimizes, recuperates and produces energy. The Bosco Verticale aids in the creation of a microclimate and in filtering the dust particles contained in the urban environment. The diversity of the plants and their characteristics produce humidity, absorb CO2 and dust particles, producing oxygen and protect from radiation and acoustic pollution, improving the quality of living spaces and saving energy. Plant irrigation will be produced to great extent through the filtering and reuse of the grey waters produced by the building. Additionally Aeolian and photovoltaic energy systems will contribute, together with the aforementioned microclimate to increase the degree of energetic self sufficiency of the two towers. The management and maintenance of the Bosco Verticale’s vegetation will be centralised and entrusted to an agency with an office counter open to the public.

Project information

location: Milano, Italy
commission:
year: 2007 (on going)
client: Hines Italia
built area: 40.000 sqm
budget: 65.000.000,00€

Architectural Design:
BOERISTUDIO (Stefano Boeri, Gianandrea Barreca, Giovanni La Varra)

Team:
Phase 1 – Urban plan and preliminary design
Frederic de Smet (coordinator), Daniele Barillari, Julien Boitard, Matilde Cassani, Andrea Casetto, Francesca Cesa Bianchi, Inge Lengwenus, Corrado Longa, Eleanna Kotsikou, Matteo Marzi, Emanuela Messina, Andrea Sellanes.

Phase 2 – Final design and working plan
Gianni Bertoldi (coordinator), Alessandro Agosti, Andrea Casetto, Matteo Colognese, Angela Parrozzani, Stefano Onnis.

Consultant for the vegetation project: Emanuela Borio, Laura Gatti

TVE: Brechó Eco Solidário



TVE Revista 29.10.2011 12h30 00:01:52 Igor Barauna
Até as cinco da tarde de hoje é realizado o Brechó Eco Solidário, um mercado de trocas de bens usados através da moeda social (grão).
Assista

Henryane Morance: Temos que aprender com os outros

Publicado Jornal A Tarde 28.10.2011 Caderno Salvador Região Metropolitana Pag 6
 
 

Desafio do planeta é dividir riquezas entre 7 bilhões

Publicado Jornal A Tarde 31.10.2011 Pag 19 Caderno Mundo Leia na fonte (assinantes)

Band News: Brechó Eco Solidário 2011 começa amanhã, 29, no Parque da Cidade


Band News Informativo 28.10.2011 12h54 00:0:37
Amanhã (29) acontece, no Parque da Cidade, o Brechó Eco Solidário. Um mercado de trocas de produtos usados através da moeda social “grão”.

Ouça

Brechó Solidário 2011: tudo pronto para o maior evento de trocas de Salvador

Separe o excedente em sua casa e troque pelo que precisa.

Tudo pronto para o Brechó Eco Solidário 2011, amanhã, 29, no Parque da Cidade. Dentre os participantes está prevista palestra de Patrick Viveret, filósofo e autor do livro “Reconsiderar a Riqueza” e Henryane de Chaponay, ativista internacional que participou da elaboração da proposta de criação do Fórum Social Mundial, assim como da Rede Diálogos em Humanidade. Genéviève Ancel, coordenadora do Dialogues en Humanité de Lyon e articuladora do Dialogues em nível internacional também deve participar. Por motivos de saúde, a presidente do Dialogues em Humanité, Danielle Miterrand, não poderá viajar ao Brasil.

Realizado desde 2006 em Salvador, o Brechó Solidário é um grande mercado de trocas de bens usados através da moeda social “grão”. Trata-se de importante evento de conscientização sobre os efeitos do consumo para as mudanças climáticas atuais e incentiva os participantes a pensarem em outras formas de consumir, mais saudáveis, com menos desperdício e priorizando produtos das cooperativas de economia solidária. É realizado anualmente em conjunto com um mercado de produtos de cooperativas e diversas atividades culturais (música e dança), de caráter formativo (atividades de educação ambiental) e de saúde integral (aulas de ioga, biodança, qiqong, massagens, reiki, etc).

No Brechó – dia 29 de outubro, no Parque da Cidade, das 10h às 17h – o público poderá trocar seus bens por “grãos” nos postos do local e participar de todas as atividades disponíveis.

As universidades foram pioneiras na realização do evento, mas a cada ano novas parcerias se somam com instituições do setor público, empresas e ONGs. Em 2011, o evento continua a ser construído de maneira autogestionária e coordenado pela Associação Rede de Profissionais Solidários pela Cidadania. A expectativa é reunir cerca de 300 pessoas, voluntáriaes de diversas instituições, sobretudo professores e estudantes das universidades parceiras (UFba, Unifacs, Universo, UNEB, dentre outras), além de empreendedores da Economia Solidária, artistas, terapeutas holísticos e pessoas engajadas em “praticas do futuro emergente”.
Samba de prato (2008).

Desde 2010, o Brechó Eco Solidário é a expressão brasileira do “Dialogues en Humanité”, realizado anualmente a patir de 2002 em Lyon, França. O evento francês tem se descentralizado com novas parcerias e eventos afins em várias cidades do mundo a exemplos de Berlim/Alemanha, Bangalore/India, Riad/Marrocos, dentre outras. O Dialogues possibilita ao público a discussão e vivência de inovações na sociedade face aos desafios econômicos, sociais, ambientais e espirituais da humanidade.

Veja mais.

Marketing verde x realidade insustentável

por Liliana Peixinho*

De que maneira a Comunicação pode contribuir, ou não, com a sustentabilidade? A informação veiculada e acessada, filtrada, pode ajudar na mudança de comportamento? Como isso pode acontecer, de fato? Se formos verificar o volume de investimentos que governo e empresas realizam, para propagar programas e produtos, podemos supor que as contrapartidas em visibilidade, credibilidade e por conseqüência, consumo, apresentam retornos que satisfazem bem os interesses de uma das partes da cadeia, os investidores. Mas, e o consumidor, esta satisfeito? E a matriz de produção, tem sido preservada, cuidada?

É objetivo desse artigo despertar a atenção sobre forma, velocidade, conteúdos e resultados de comportamentos construídos pela mídia, através da propagação massiva de conteúdos, sob o olhar da sustentabilidade. Essa pesquisa é reforçada por depoimentos de especialistas e jornalistas sobre o cotidiano brasileiro, mostrando quão distante anda o discurso, generalizado, da prática. Onde a garantia da Vida se revela frágil quando observamos o caos em setores importantes como saúde, educação, transportes, moradia, emprego. Problemas sentidos de perto por quem mais o governo diz estar dando atenção: as classes média e pobre.

Entre especialistas em comunicação circula informações sobre a velocidade da propagação do conceito sustentabilidade e a necessidade de entender melhor o sentido profundo da expressão, usada massivamente sem a devida interseção harmônica nas escalas de produção. Mais do que significado, uma frase vale por seu efeito estético, moderno, linkado com uma realidade que insiste resistir aos desafios de mudanças de comportamento para a sustentação de sistemas fragilizados pela ganância, lucro fácil e rápido, desperdício de tempo e recursos, em nome de uma Vida frágil e ignorada.

Apesar do apelo ideológico difundido massivamente, com reforço diário do discurso da sustentabilidade, o conceito parece estar distante de práticas, ações, gestões, comportamentos, que levem equilibrio, harmonia, entre o que, como, e quanto se produz, na cadeia das atividades econômicas. Nesse contexto, como a Comunicação, o jornalismo, a publicidade, as redes sociais, as listas de discussões, os grupos virtuais, blogs, sites, entre outros, podem contribuir com informações, transversalizadas, contextualizadas historicosocialmente, para a construção de uma nova mentalidade, um novo jeito de pensar, fazer, se comportar, agir, mudar, no que tem se mostrado, demandado, como necessário e urgente?

De um lado vemos que os avanços da Ciência no prolongamento da Vida humana estão desconectados com a mesma fragilidade que essa vida se mostra em ambientes criminosamente impactados por essa mesma ação humana. Esse paradoxo entre as descobertas científicas e a preservação da Vida, num planeta que ainda estamos a conhecer, parece desconsiderar o tempo como o grande protagonista da História, que é determinada por ele. O homem pode viver 100, 110 ou mais, ao mesmo tempo e no mesmo lugar, crianças que nascem, agora, não garantem o início da vida por falta de direitos simples, como poder dar o primeiro suspiro numa maternidade com as mínimas condições profiláticas para isso.

Estamos bombardeados de propagandas sobre produtos que causam obesidade, problemas cardíacos, diabetes, câncer e um sem número de doenças, diretas ou indiretamente relacionadas ao que consumimos. E não temos proteção para atendimentos médico, psicológico ou jurídico, necessários, decorrentes de comportamento construídos por uma mídia que parece focar apenas na sedução para a compra, desconectada com os resultados gerados pelo comportamento que a mensagem produziu no espectador, leitor, internauta, ouvinte, dentro ou fora de casa.

A televisão, por exemplo, entrou no mercado, nas lares, com força e poder para ditar comportamentos desproporcionais ao poder aquisitivo dessas famílias que se sentam, absortas, em frente a telinha. Vemos agora esse poder sendo dividido, compartilhado, distribuído para as redes sociais, onde esse mesmo poder da mídia veio ainda com mais força, com velocidade ainda maior, para transpor o tempo, agora imediato, real. A mesma competência que esteia o discurso da mídia verde vazia deve ser buscada com a inteligência exigida pela urgência que estar a querer a Vida, harmoniosa e sem pressa, como dever e merecemos ser.

Essa mídia apressada em estimular o consumo pelo consumo vem empurrando a Vida para uma correria para comprar carro para ficar preso em engarrafamentos, nas rodovias e centros urbanos. Acordar cedo para trabalhar fora de casa para pagar uma babá que também deixou o filho em casa para ir trabalhar, alimentando cadeias de vida insustentáveis. Se formos analisar o ciclo perverso sobre o trabalho das mães babás dos filhos dos outros, por exemplo, o custo social desse comportamento pode ser exemplo de diversos outros ciclos de via crucis da vida.

E dever da Comunicação estar atenta as condições sociais para garantia da Vida? Se for e sabemos que é, então não podemos fazer de conta que não vemos empresas propagando-se sustentável, sem ser, pois ao usar trabalho escravo, impactar o ambiente e não ter compromisso em cuidar, preservar, garantir condições para futuras gerações, não é sustentável. E, como disse o colega Andre Trigueiro, nós jornalistas, temos obrigação em dizer e mostrar porque projetos ditos sustentáveis, não o são, de fato. Claro que isso dá trabalho, precisa de investigação, coragem, e uma dose de ética que o mercado publicitário, e mesmo jornalístico, não parece estar interessado, em sua maior parte. Ter jornalistas que façam essa diferença nas redações e agora, nos blogs e mídias sociais, parece ser o caminho para aqueles que querem e acreditam no fazer como compromisso de mudanças.

Apesar da visibilidade midiática e da evolução do conceito: desenvolvimento sustentável, a realidade cotidiana demonstra, nos faz ver, perceber, sentir, registrar, que ações, de fato, sustentáveis, são difíceis de comprovar diante de realidades diárias sobre a natureza humana e ambiental. Essas faces do ambiente estão degradadas, violentadas, exploradas, impactadas. A sustentabilidade tem sido ênfase dos discursos, peças publicitárias, propagandas, falas de governo, empresas e ONGs. De forma competente e criativa percebemos o apoderamento do termo para surfar na onda do marketing verde vazio.

Quando alguém, um governante, um empresário, um representante de um instituto, ONGs, associação, diz que faz um programa dessa ou daquela maneira e não o faz, de fato, como anuncia, qual deve ser o comportamento da mídia?. O corporativismo, com certeza, é outro elemento dificultador. O medo de perder emprego, contrariar interesses, mais forte ainda. O compromisso com os efeitos da informação não parece ser prioridade na agenda, nem mesmo nos compromisso da academia.

A Carta da Terra diz que “devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura de paz. E, que para chegar a esse propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações”. Nesse contexto, é imperativo reforçarmos o saber como instrumento de construção, impulsão, para qualquer modelo, jeito de viver, que reforce a condição humana como frágil, limitada, diante do poder da Natureza, cujas facetas, climáticas, por exemplo, a própria Ciência ainda ignora, desconhece?

E, como a vida continua pautada no consumo, seja de idéias, fazeres e experiências, necessário e sensato, parece ser, adotar políticas, práticas, comportamentos, que alimentem a construção de cadeias de suprimentos onde, fornecedores, distribuidores, varejistas e consumidor final, estejam em harmonia, em sintonia, com as adaptações que o planeta, o ambiente, rural ou urbano, estar a nos exigir, para a garantia da Vida, em suas diversas formas.

* Liliana Peixinho é Jornalista, ativista, Fundadora dos Movimentos AMA – Amigos do Meio Ambiente e RAMA – Rede de Articulação e Mobilização Ambiental. Especialização em Mídia e RSA. MBA em Turismo e Hotelaria. Posgraduanda em Jornalismo Científico e Tecnológico – UFBA. lilianapeixinho@gmail.com / movimentoama@yahoo.com.br.

Economia solidária e debates no Parque da Cidade, no Brechó Ecosolidário 2011


Vai ser no sábado, 29 de outubro, a nova edição do Brechó Eco Solidário 2011, evento de economia solidária organizado em parceria entre diversas instituições de ensino superior da capital, entidades governamentais e ONGs. A tradicional feira da economia solidária, que acontece desde 2006 e se tornou um encontro de diversas comunidades acadêmicas da capital baiana e sociedade civil, tem início a partir das 9h, e vai até as 17h, no Parque da Cidade. A edição do projeto está sendo organizada como uma versão baiana do “Dialogues en Humanité”, fórum global sobre a questão humana.

Os participantes poderão, durante a feira, obter produtos de utilidade, como roupas, utensílios, acessórios, livros, entre outros, em troca da moeda grão, caracterizando um sistema de trocas mais solidário e ambientalmente responsável. A moeda grão pode ser obtida através da troca de objetos pessoais em bom estado de conservação nos postos de troca até o dia do evento ou durante o Brechó, se dirigindo ao Banco Solidário.

Durante o Brechó, compras também podem ser feitas em Real. Esse ato “também é ambiental, porque desperta nas pessoas a temática do consumo consciente, questionando o que é realmente necessário”, frisa Débora Nunes, uma das coordenadoras do evento. “O brechó vai ter a participação de quase 50 empreendimentos sociais que vão fazer uma feira de produtos da região, inclusive artesanais e orgânicos”, destaca.


Criado em 2002, o Dialogues en Humanité é realizado todos os anos na cidade de Lyon, na França. Desde 2009, vem sendo promovido em cidades que já têm discussões e propostas sobre o tema, como Rabat (Marrocos), Berlim (Alemanha), Bangalore (Índia) e agora, Salvador. A proposta possibilita ao público discutir e vivenciar inovações na sociedade frente aos desafios econômicos, sociais, ambientais e espirituais da humanidade.

Atrações – Além da feira de economia solidária e das Ágoras do Brechó, praças de discussão inspiradas na antiga Grécia, este ano o brechó Eco Solidário terá apresentações de dança, música, rodas de capoeira, ioga, relaxamento, pintura, entre outros.

O Brechó EcoSolidário é realizado em parceria entre a Universidade Salvador (Unifacs), Universidade Federal da Bahia (Ufba), Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), Faculdade Universo, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (Ifba), as secretarias estaduais de Trabalho e Emprego (Setre) e de Cultura (Secult), e o Instituto Mauá. Também são apoiadores da feira a Rede de Profissionais Solidários e a Fundação Frances Libertés.

| Serviço |

O quê: Brechó Eco Solidário 2011

Quando: Sábado, 29 de outubro. Feira acontece das 9h às 17h; programação paralela começa às 8h

Onde: No Parque da Cidade, Itaigara, Salvador.

Como funciona: Leve seus produtos em bom estado de conservação aos postos de troca, e receba um Grão por cada um deles. Com o Grão, você pode adquirir novos produtos.

Além das trocas do brechó, haverá uma feira de empreendimentos solidários, com artesanatos, alimentos orgânicos, entre outros.

Dialogues en Humanité – acesse o site

Dia das Crianças com pegada ecológica no Dique do Tororó

Atividades culturais pró-sustentabilidade marcam o evento aberto ao público, no pier

A União de Sociedades Espiritualistas – Unisoes e a Iniciativa das Religiões Unidas -URI vão comemorar o 12 de outubro, Dia das Crianças, com atividades culturais e pró-sustentabilidade, no pier do Dique do Tororó. Em sua terceira edição, o Encontro de Reconciliação com a Mãe Natureza terá performances de música e dança indianas, dança-meditação de Tara, recreação infantil e roda de capoeira, dentre outras atividades.
O evento será aberto às 10h com cerimônia de saudação a natureza por representantes das tradições indígena e africana, e encerrado às 18h com meditação pela natureza e oferenda para Oxum, conduzida por sacerdotes e dirigentes de diferentes sociedades religiosas. De acordo com o maçom Ernesto Cardoso, presidente da Unisoes, a idéia de propor uma reconciliação com a natureza no Dia das Crianças reflete a necessidade de as pessoas encararem os fatos: “Não há como pensar no futuro sem o cuidado com o planeta”.
Na extensão do pier estarão montados estandes do programa Ecobairro Salvador, onde crianças e adultos poderão fazer sua pegada ecológica para saber de que forma seu estilo de vida impacta no planeta.
Os Encontros Reconciliação com a Mãe Natureza foram inspirados em ação da ONU, que, atenta aos apelos do planeta, criou a Década Internacional de Educação para o Desenvolvimento Sustentável (2005 a 2014), formando um grande movimento para uma única direção: a vida. “A Unisoes e a URI sentem-se impulsionadas em cooperar com as Nações Unidas para o estabelecimento de um planeta sustentável e pacifico”, diz Ernesto Cardoso.
A Unisoes é composta atualmente por 51 associados, incluindo Loja Teosófica Salvador – Bahia, Organização Brahma Kumaris, Ordem Maçônica do Grande Circulo Branco Centro De Estudos Exobiológicos Ashtar Sheran, Instituto Röerich da Paz e Cultura do Brasil, Centro da Fraternidade Kisuma Nasaro Kosera, ISKCON – Sociedade Internacional para Consciência de Krishna, Assembléia Espiritual Bah’ai Salvador, UNIPAZ – Universidade da Paz , Cruzada Espiritual Feminina Maria de Nazaré, Barquinha de São João e Núcleo Espiritualista Swami Vivekananda.

Serviço

3º Encontro de Reconciliação com a Mãe Natureza
Quando: 12 de outubro, das 10h às 18h
Onde: Pier do Dique do Tororó
Entrada franca

Artistas baianos se apresentam em Nagar, na Índia

Primeira apresentação dos artistas baianos no domingo (9), em Naggar, durante evento do International Roerich Memorial Trust (IRMT) para celebrar o aniversário de nascimento do artista e filósofo russo Nicholas Roerich. A turnê segue dia 11, com uma apresentação no Festival de Dussehra, um dos mais importantes da região e que reúne cerca de seis mil pessoas.
O espetáculo integra o Projeto de Intercâmbio Cultural “Brasil: muitas raízes, um legado de Paz”, proposto pelo Instituto Roerich da Paz e da Cultura do Brasil (com sede em Salvador) e selecionado pelo Edital de Intercâmbio Cultural do Ministério da Cultura. ‘Esta será a primeira vez que a cultura brasileira vai àquela parte do mundo’, diz Raimundo Santos, presidente do Instituto Roerich da Paz e da Cultura do Brasil. O grupo é formado pelos músicos Lula Gazineo (violão), Luiz Codes (flauta), Átila Coutinho (percussão), pela bailarina e coreógrafa Isabela Saffe e pelos capoeiristas Mestre Santa Rosa e Glauber Santos.