Um Programa do Instituto Roerich

O belo é natural

Design em Sustentabilidade

Por Heliana Mettig

A população urbana tem crescido de forma exponencial desde que a oferta de empregos, cultura, educação e a circulação da economia se concentram nas grandes cidades. Com a previsão para 2025, de que 65% da população do planeta serão urbanas, nos deparamos com um desafio à nossa própria sobrevivência. Já se aponta a escassez de recursos naturais que sustentam a crescente zona de conforto das cidades, além da dispersão dos valores humanos em prol da busca por lucro indiscriminado na sociedade.

Para não corrermos o risco de nos tornar vítimas da nossa própria criação, precisamos aprender a redesenhar o estilo de vida numa transição para um bem viver mais sustentável, capaz de satisfazer nossas necessidades sem comprometer as chances de sobrevivência desta e das próximas gerações.
Outros olhares nos relembram que somos parte da Natureza, estamos no ambiente, e o sistema está numa constante busca pelo equilíbrio. A Natureza em nós tem a necessidade de criar espaços internos que restaurem esse equilíbrio, em contraponto à violência externa, ao trânsito, à poluição sonora e visual, a degradação do ambiente urbano, a desmobilização social frente à situação vigente, além do stress que estamos expostos diariamente.

Este redesenho ou Design em Sustentabilidade , para ser efetivo, envolve transformações em todos os níveis – individual, na vizinhança, nas comunidades e na cidade.
Ao debruçar sobre o individual, abordamos a Decoração e o Design de Interiores. Aplicar esse conceito nessa área envolve escolhas conscientes e mudanças de hábito, além de ser uma real necessidade do sistema natural em que vivemos.

As escolhas conscientes abrangem utilizar:
– recursos naturais, como ventilação e iluminação natural, reuso da água e energias alternativas de forma eficiente;
– materiais de maior durabilidade;
– produtos locais e regionais, tanto industriais quanto artesanais;
– materiais e produtos reciclados ;
– lâmpadas e equipamentos de baixo consumo energético;
– tintas à base de água, não sintéticas;
– madeiras de reflorestamento certificadas ou de demolição;
– equipamentos que conservam ou produzem sua própria energia.

As mudanças de hábito levam a:
– redução do consumo de supérfluos;
– reutilização de objetos e mobiliário;
– repensar a necessidade de consumo;
– recusar o consumo de produtos produzidos fora de princípios éticos;
– aproveitamento total dos espaços, como a criação de espaços multiuso;
– criação de espaços de uso coletivo;
– priorizar qualidade sobre quantidade;
– integrar elementos naturais na construção;
– participar das escolhas das especificações com consciência;
– buscar o Belo, a Harmonia e a Simplicidade no exemplo da Natureza.

O espaço da casa representa uma expansão do nosso espaço interior, é o que se encontra mais próximo deste e remete à busca da natureza interna. A casa representa a expressão do eu interior, numa coerência interna.

O belo é natural

Além de escolhas e mudanças, a necessidade do sistema em retomar o equilíbrio se reflete numa tendência do Design, assim como na Decoração, pois o que é Belo é Natural. A busca pela Paz, Beleza e Harmonia através de espaços para leitura, meditação, relaxamento, cantos de silêncio e encontros de grupos, varandas com jardins produtivos e hortas verticais, torna-se freqüente. Esses novos espaços propiciam a renovação da energia da casa e de seus moradores, que não aceitam mais tanto plástico, tecidos sintéticos, madeiras nobres e metais, cuja extração causa danos à Natureza.
Um bom exemplo disso é o Japão. Com o calor excessivo e a falta de energia para condicionamento de ar após o acidente nuclear, fez os japoneses criarem uma cortina verde de plantação de pepinos para proteger um edifício público da radiação direta do Sol, amenizando em 4oC a temperatura de seu interior. Além desse retorno, o pepino é colhido em abundância para alimentação.
Não queremos promover a volta ao passado, mas continuar na vanguarda da evolução em espiral, criando soluções práticas através de atitudes coerentes com a sustentação da vida, através da simplicidade, harmonia e ética.

Os discursos sobre a sustentabilidade são muitas vezes movediços e, principalmente, atraentes para estimular o consumo de bens e serviços, passando a ser pretexto para a geração de mais lucro para poucos nesta sociedade. Não promovem um equilíbrio real do sistema por nutrir um mundo desigual. Pode um mundo desigual ser sustentável?
Entretanto, se reunirmos a tendência do sistema natural em buscar seu equilíbrio com a conscientização acerca da forma insustentável que vivemos, o Design que busca a sustentabilidade não é uma moda passageira, e sim, algo que veio para ficar, ou seja, um ato de amor à humanidade.

Heliana Mettig – Arquiteta, professora de Arquitetura e Designer em Sustentabilidade – Ecobairro

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i Formação do Curso Educação Gaia, promovida pelo programa Ecobairro, do Instituto Roerich da Paz e Cultura.
ii Já foi comprovado que a reciclagem atrasa o processo de descarte de resíduos por apenas cinco meses. O ideal é que o resíduo entre e saia do processo várias
vezes, até que feche o ciclo.

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