Um Programa do Instituto Roerich

Depoimentos

Sobre o Educação Gaia…
“Sempre me vi de alguma maneira sintonizado com todas estas questões de natureza sócio/ambiental…Tudo isto de alguma forma estava latente em mim…O meu olhar sempre se dirigia a elas…Como sementes à espera da semeadura…
Quando ouvi falar do curso Educação Gaia, sabia que precisava fazê-lo. Fui o segundo a se inscrever. A devolução de parte do pagamento da inscrição, por conta de um oportuno patrocinador, me causou uma agradável surpresa e a confirmação de que tinha feito uma acertada escolha. E de fato foi!
Sentí-me mergulhando em uma rede de novas ideias, de novos lugares, de novos conhecimentos, de novas possibilidades e de pessoas que de alguma maneira tinham estas mesmas preocupações…A medida que o curso se desenrolava, não perdia a oportunidade de compartilhar de maneira entusiasmada, os conteúdos apreendidos, com os familiares, amigos, colegas de trabalho, vizinhos e já procurava encontrar uma maneira de poder iniciar a aplicação destes novos conhecimentos. E foi o que fiz…
Comecei em casa…Montei um minhocário para dar um destino mais adequado aos resíduos orgânicos e incrementei mais a coleta seletiva, que já fazia de uma forma desordenada; redobrei a atenção e o cuidado com o uso consciente da água;
No trabalho, montamos um grupo para debater e gerenciar a produção dos resíduos sólidos e o destino adequado para o seu descarte. Hoje temos uma grande produção de terra vegetal, com isto diminuímos o descarte de grande parte das podas e aparas de grama e demos um destino correto para os restos de comida utilizadas na produção da alimentação dos funcionários através da compostagem; comecei uma campanha pela não utilização de copos descartáveis, questionando o uso dos mesmos…uma semente foi lançada mas ainda um problema sem uma solução adequada;
Na zona rural, levei dois produtores que conheci na nova rede, para compartilhar, trocar conhecimentos e informações, estimulando os agricultores da região à eliminação do uso sistemático de agrotóxicos ou pelo menos a sua redução, convidando-os a experimentar e a fazer uma transição de forma mais natural nas suas lavouras de cacau e na produção de suas hortas…Distribuí sacolas retornáveis para o pessoal com a intenção de reduzir o uso de sacolas plásticas, que enchem e sujam todo o caminho até a zona rural…Nâo há mais um lugar onde elas não existam…Esta consciência procuro mostrar a todos de forma discreta fazendo eu mesmo a lição de casa, coletando por onde passo o lixo plástico que cruza o meu caminho…Instalei de forma experimental um aquecedor de água feito com tubos de pvc, portanto de baixo custo,  utilizando a luz solar, mas estou ainda na fase de testes antes de conectar ao sistema de água da casa…
Promovi um intercâmbio interestadual, fazendo a conexão da minha com a nova rede onde estava inserido,  de um especialista de em café de Minas Gerais,  com um grupo de cafeicultores da região de Seabra – Bahia, com a ideia de melhorar as lavouras de café da região…Neste ano já pudemos colher os resultados com um significativo aumento na qualidade da produção dos agricultores,  o que se refletiu em um significativo aumento das vendas dos seus produtos…
Iniciei a  minha participação como voluntário em uma ONG – Estrela da Paz, em Valéria, onde dou aulas sobre educação ambiental compartilhando as técnicas e utilizando as ferramentas aprendidas durante o curso. Fizemos uma reforma no espaço onde pudemos aplicar os novos conhecimento como a execução de uma fossa biosséptica, trocamos as telhas convencionais por telhas ecológicas feitas com embalagens tetrapak e na medida do possível compramos os insumos utilizados na reforma, nas lojas da comunidade estimulando assim o comércio local; procuramos também valorizar a mão de obra local para evitar deslocamentos desnecessários, isto somente para citar alguns exemplos…Procuramos envolver da comunidade, tentando despertar o olhar  de forma a valorizar o local onde vivem e a generosa troca de conhecimentos que destes encontros resulta…
Devo destacar que estas “sementes” citadas no início deste breve relato, aguardavam apenas o momento certo da semeadura. Assim, posso afirmar sem dúvida alguma, que após o curso Educação Gaia pude atender ao chamado para sair deste estado latente de semente, e lançar raízes ao solo, criando uma sólida base para o que acredito ser uma nova árvore que gerará frutos e sombra generosa. Assim estimulo a quem se interessar que todos poderemos fazer as mudanças que queremos para este mundo…Já me sinto um pouco mais preparado para contribuir de alguma maneira para redesenhar a mim mesmo, ao meu entorno e ao mundo onde vivo…Decidi que não quero apenas assistir às mudanças que são inevitáveis e que estão ocorrendo à minha volta mas quero fazer parte delas de maneira ativa, dando a minha contribuição, mostrando novas possibilidades, mais condizentes ao Ser e não ao Ter…”
André Borém, arquiteto.
* Hoje é nucleador do Núcleo de Cultura do Ecobairro

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